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Os milagres no sentido teológico (itens 1 a 3) (Estudo 86 de 136)

       

1. - Na acepção etimológica, a palavra milagre (de mirari, admirar) significa admirável, coisa extraordinária, surpreendente.
Na acepção usual, essa palavra perdeu, como tantas outras, a significação primitiva. De geral, que era, se tornou de
aplicação restrita a uma ordem particular de fatos. No entender das massas, um milagre implica a idéia de um fato
extranatural no sentido teológico, é uma derrogação das leis da Natureza, por meio da qual Deus manifesta o seu poder.
Tal, com efeito, a acepção vulgar, que se tornou o sentido próprio, de modo que só por comparação e por metáfora a
palavra se aplica às circunstâncias ordinárias da vida.

2. - Um dos caracteres do milagre propriamente dito é ser inexplicável, por isso mesmo que se realiza com exclusão das
leis naturais. É tanto essa a idéia que, se um fato milagroso (admirável) vem a encontrar explicação, se diz que já não
constitui milagre, por muito espantoso que seja. O que, para a Igreja, dá valor aos milagres é, precisamente, a origem sobrenatural deles e a impossibilidade de serem explicados.

3. - Outro caráter do milagre é o ser insólito, isolado, excepcional. Logo que um fenômeno se reproduz, quer espontânea,
quer voluntariamente, é que está submetido a uma lei e, desde então, seja ou não seja conhecida a lei, já não pode haver milagres.

4. - Aos olhos do ignorante, a Ciência faz milagres todos os dias. Se um homem que se ache realmente morto for
chamado à vida por intervenção divina, haverá verdadeiro milagre, por ser esse um fato contrário às leis da Natureza. Mas,
se em tal homem houver apenas aparências de morte, se lhe restar uma vitalidade latente e a Ciência ou uma ação
magnética conseguir reanimá-lo, para as pessoas esclarecidas ter-se-á dado um fenômeno natural. Para o ignorante, o
fato passará por miraculoso.

5. - Foram fecundos em milagres os séculos de ignorância, porque se considerava sobrenatural tudo aquilo cuja causa
não se conhecia. À proporção que a Ciência revelou novas leis, o círculo do maravilhoso se foi restringindo. Mas, como a
Ciência ainda não explorara todo o vasto campo da Natureza, larga parte dele ficou reservada para o maravilhoso.


6. - Demonstrando que o elemento espiritual é uma das forças vivas da Natureza, que incessantemente atua em com a
força material, o Espiritismo faz que voltem ao rol dos efeitos naturais os que dele haviam saído, porque, como os outros,
também tais efeitos se acham sujeitos a leis. Se for expulso da espiritualidade, o maravilhoso já não terá razão de ser e
só então se poderá dizer que passou o tempo dos milagres.


QUESTÕES PARA ESTUDO

a) Qual a diferença entre o original sentido da palavra milagre e o que lhe vem sendo dado durante os diversos períodos
da história?

b) Qual a conseqüência do entendimento distorcido com que vem sendo utilizada a palavra milagre?

c) Como o Espiritismo pode contribuir para um correto entendimento desta questão?

  Conclusão deste estudo 
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