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Superioridade da natureza de Jesus (itens 1 e 2) (Estudo 101 de 136)

       

1. - Os fatos que o Evangelho relata e que foram até hoje considerados milagrosos pertencem, na sua maioria, à ordem
dos fenômenos psíquicos, isto é, dos que têm como causa primária as faculdades e os atributos da alma.Confrontando-
-os com os que ficaram descritos e explicados no capítulo precedente, reconhecer-se-á sem dificuldade que há entre
eles identidade de causa e de efeito. A História registra outros análogos, em todos os tempos e no seio de todos os
povos, pela razão de que, desde que há almas encarnadas e desencarnadas, os mesmos efeitos forçosamente se
produziram. Pode-se, é certo, contestar, no que concerne a este ponto, a veracidade da História; mas, hoje, eles se
produzem às nossas vistas e, por assim dizer, à vontade e por indivíduos que nada têm de excepcionais. O só fato da
reprodução de um fenômeno, em condições idênticas, basta para provar que ele é possível e se acha submetido a uma
lei, não sendo, portanto, miraculoso.

O princípio dos fenômenos psíquicos repousa, como já vimos, nas propriedades do fluido perispiritual, que constituí o
agente magnético; nas manifestações da vida espiritual durante a vida corpórea e depois da morte; e, finalmente, no
estado constitutivo dos Espíritos e no papel que eles desempenham como força ativa da Natureza. Conhecidos estes
elementos e comprovados os seus efeitos, tem-se, como conseqüência, de admitir a possibilidade de certos fatos que
eram rejeitados enquanto se lhes atribuía uma origem sobrenatural.


2. - Sem nada prejulgar quanto à natureza do Cristo, natureza cujo exame não entra no quadro desta obra, considerando-
-o apenas um Espírito superior, não podemos deixar de reconhecê-lo um dos de ordem mais elevada e colocado, por
suas virtudes, muitíssimo acima da humanidade terrestre. Pelos imensos resultados que produziu, a sua encarnação
neste mundo forçosamente há de ter sido uma dessas missões que a Divindade somente a seus mensageiros diretos
confia, para cumprimento de seus desígnios. Mesmo sem supor que ele fosse o próprio Deus, mas unicamente um
enviado de Deus para transmitir sua palavra aos homens, seria mais do que um profeta, porquanto seria um Messias
divino.
Como homem, tinha a organização dos seres carnais; porém, como Espírito puro, desprendido da matéria, havia de viver
mais da vida espiritual, do que da vida corporal, de cujas fraquezas não era passível. A sua superioridade com relação
aos homens não derivava das qualidades particulares do seu corpo, mas das do seu Espírito, que dominava de modo
absoluto a matéria e da do seu perispírito, tirado da parte mais quintessenciada dos fluidos terrestres (cap. XIV, nº 9).
Sua alma, provavelmente, não se achava presa ao corpo, senão pelos laços estritamente indispensáveis. Constantemente desprendida, ela decerto lhe dava dupla vista, não só permanente, como de excepcional penetração e superior de muito
à que de ordinário possuem os homens comuns. O mesmo havia de dar-se, nele, com relação a todos os fenômenos que dependem dos fluidos perispirituais ou psíquicos. A qualidade desses fluidos lhe conferia imensa força magnética, secundada pelo incessante desejo de fazer o bem.
Agiria como médium nas curas que operava? Poder-se-á considerá-lo poderoso médium curador? Não, porquanto o
médium é um intermediário, um instrumento de que se servem os Espíritos desencarnados e o Cristo não precisava de assistência, pois que era ele quem assistia os outros. Agia por si mesmo, em virtude do seu poder pessoal, como o
podem fazer, em certos casos, os encarnados, na medida de suas forças. Que Espírito, ao demais, ousaria insuflar-lhe
seus próprios pensamentos e encarregá-lo de os transmitir? Se algum influxo estranho recebia, esse só de Deus lhe
poderia vir. Segundo definição dada por um Espírito, ele era médium de Deus.

("A Gênese", capítulo XV, ítens 1 e 2)

QUESTÕES PARA ESTUDO

a) Qual a visão do Espiritismo acerca dos chamados "milagres do Evangelho"?

b) Qual a origem da superioridade da natureza de Jesus e como ela se manifestava perante os homens?

c) Podemos considerar os chamados milagres operados por Jesus como fenômenos mediúnicos
  Conclusão deste estudo 
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