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Dupla vista (itens 5 a 9) (Estudo 103 de 136)

       

D U P L A V I S T A

Entrada de Jesus em Jerusalém

5.- Quando eles se aproximaram de Jerusalém e chegaram a Betfagé, perto do Monte das Oliveiras, Jesus enviou dois
de seus discípulos, dizendo-lhes: - Ide a essa aldeia que está à vossa frente e, lá chegando, encontrareis amarrada
uma jumenta e junto dela o seu jumentinho; desamarrai-a e trazei-mos. - Se alguém vos disser qualquer coisa,
respondei que o Senhor precisa deles e logo deixará que os conduzais. - Ora, tudo isso se deu, a fim de que se
cumprisse esta palavra do profeta: - Dizei à filha de Sião: Eis o teu rei, que vem a ti, cheio de doçura, montado numa
jumenta e com o jumentinho da que esta sob o jugo. (Zacarias, cap. IX, vv. 9 e 10.)
Os discípulos então foram e fizeram o que Jesus lhes ordenara. - E, tendo trazido a jumenta e o jumentinho, a cobriram
com suas vestes e o fizeram montar. (S. Mateus, cap. XXI, vv. 1 a 7.)

Beijo de Judas

6.- Levantai-vos, vamos, que já esta perto daqui aquele que me há de trair. - Ainda não acabara de dizer essas palavras
e eis que Judas, um dos doze, chegou e com ele uma tropa de gente armada de espadas e paus, enviada pelos
príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos do povo. - Ora, o que o traía lhes havia dado um sinal para o reconhecerem,
dizendo-lhes: Aquele a quem eu beijar é esse mesmo o que procurais; apoderai-vos dele. - Logo, pois, se aproximou de
Jesus e lhe disse: Mestre, eu te saúdo; e o beijou. - Jesus lhe respondeu: Meu amigo, que vieste fazer aqui? Ao mesmo
tempo, os outros, avançando, se lançaram a Jesus e dele se apoderaram. (S. Mateus, cap. XXVI, vv. 46 a 50.)

Pesca milagrosa
7.- Um dia, estando Jesus a margem do lago de Genesaré, como a multidão de povo o comprimisse para ouvir a palavra
de Deus, - viu ele duas barcas atracadas à borda do lago e das quais os pescadores haviam desembarcado e lavavam
suas redes. - Entrou numa dessas barcas, que era de Simão, e lhe pediu que a afastasse um pouco da margem; e,
tendo-se sentado, ensinava ao povo de dentro da barca.
Quando acabou de falar, disse a Simão: Avança para o mar e lança as tuas redes de pescar. - Respondeu-lhe Simão:
Mestre, trabalhamos a noite toda e nada apanhamos; contudo, pois que mandas, lançarei a rede. - Tendo-a lançado,
apanharam tão grande quantidade de peixes, que a rede se rompeu. - Acenaram para os companheiros que estavam na
outra barca, a fim de que viessem ajudá-los. Eles vieram e encheram de tal modo as barcas, que por pouco estas não se
submergiram. (S. Lucas, cap. V, vv. 1 a 7.)

Vocação de Pedro, André, Tiago, João e Mateus
8.- Caminhando ao longo do mar da Galiléia, viu Jesus dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão, que
lançavam suas redes ao mar, pois que eram pescadores; - e lhes disse: Segui-me e eu farei de vós pescadores de
homens. - Logo eles deixaram suas redes e o seguiram.
Daí, continuando, viu ele dois outros irmãos, Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam numa barca
com Zebedeu, pai de ambos, os quais estavam a consertar suas redes, e os chamou. - Eles imediatamente deixaram
as redes e o pai e o seguiram. (S. Mateus, cap. IV, vv. 18 a 22.)
Saindo dali, Jesus, ao passar, viu um homem sentado à banca dos impostos, chamado Mateus, ao qual disse:
Segue-me; e o homem logo se levantou e o seguiu. (S. Mateus, cap. IV, v. 9.)

9.- Nada apresentam de surpreendentes estes fatos, desde que se conheça o poder da dupla vista e a causa, muito
natural, dessa faculdade. Jesus a possuía em grau elevado e pode dizer-se que ela constituía o seu estado normal,
conforme o atesta grande número de atos da sua vida, os quais, hoje, têm a explicá-los os fenômenos magnéticos e
o Espiritismo.
A pesca qualificada de miraculosa igualmente se explica pela dupla vista. Jesus não produziu espontaneamente peixes
onde não os havia; ele viu, com a vista da alma, como teria podido fazê-lo um lúcido vígil, o lugar onde se achavam os
peixes e disse com segurança aos pescadores que lançassem aí suas redes.
A acuidade do pensamento e, por conseguinte, certas previsões decorrem da vista espiritual. Quando Jesus chama a
si Pedro, André, Tiago, João e Mateus, é que lhes conhecia as disposições íntimas e sabia que eles o acompanhariam
e que eram capazes de desempenhar a missão que tencionava confiar-lhes. E mister se fazia que eles próprios tivessem
intuição da missão que iriam desempenhar para, sem hesitação, atenderem ao chamamento de Jesus. O mesmo se
deu quando, por ocasião da Ceia, ele anunciou que um dos doze o trairia e o apontou, dizendo ser aquele que punha a
mão no prato; e deu-se também, quando predisse que Pedro o negaria.
Em muitos passos do Evangelho se lê: «Mas Jesus, conhecendo-lhes os pensamentos, lhes diz...» Ora, como poderia
ele conhecer os pensamentos dos seus interlocutores, senão pelas irradiações fluídicas desses pensamentos e, ao
mesmo tempo, pela vista espiritual que lhe permitia ler-lhes no foro íntimo?
Muitas vezes, supondo que um pensamento se acha sepultado nos refolhos da alma, o homem não suspeita que traz
em si um espelho onde se reflete aquele pensamento, um revelador na sua própria irradiação fluídica, impregnada dele.
Se víssemos o mecanismo do mundo invisível que nos cerca, as ramificações dos fios condutores do pensamento, a
ligarem todos os seres inteligentes, corporais e incorpóreos, os eflúvios fluídicos carregados das marcas do mundo
moral, os quais, como correntes aéreas, atravessam o espaço, muito menos surpreendidos ficaríamos diante de certos
efeitos que a ignorância atribui ao acaso. (Cap. XIV, nos 15, 22 e seguintes.)

("A Gênese", capítulo XV, ítens 5 a 9)


QUESTÕES PARA ESTUDO

a) Como o Espiritismo explica os episódios da entrada de Jesus em Jerusalém e da pesca milagrosa?

b) E com relação ao episódio do beijo de Judas e do chamamento a Pedro, André, Tiago, João e Mateus para segui-lo?
  Conclusão deste estudo 
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