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Possessos (itens 29 a 36) (Estudo 107 de 136)

       

P O S S E S S O S


29.- Vieram em seguida a Cafarnaum e Jesus, entrando primeiramente, em dia de sábado, na sinagoga, os instruía.
- Admiravam-se da sua doutrina, porque ele os instruía como tendo autoridade e não como os escribas.

Ora, achava-se na sinagoga um homem possesso de um Espírito impuro, que exclamou: - Que há entre ti e nós,
Jesus de Nazaré? Vieste para nos perder? Sei quem és: és o santo de Deus. - Jesus, porém, falando-lhe
ameaçadoramente, disse: Cala-te e sai desse homem. - Então, o Espírito impuro, agitando o homem em violentas
convulsões, saiu dele.

Ficaram todos tão surpreendidos que uns aos outros perguntavam: Que é isto? Que nova doutrina é esta? Ele dá
ordem com império, até aos Espíritos impuros, e estes lhe obedecem. (S. Marcos, cap. I, vv. 21 a 27.)

30.- Tendo eles saído, apresentaram-lhe um homem mudo, possesso do demônio. - Expulso o demônio o mudo
falou e o povo, tomado de admiração, dizia: Jamais se viu coisa semelhante em Israel.

Mas os fariseus, ao contrário, diziam: É pelo príncipe dos demônios que ele expele os demônios. (S. Mateus,
capítulo IX, vv. 32 a 34.)

31.- Quando ele foi vindo ao lugar onde estavam os outros discípulos, viu em torno destes uma grande multidão
de pessoas e muitos escribas que com eles disputavam. - Logo que deu com Jesus, todo o povo se tomou de
espanto e temor e correram todos a saudá-lo.

Perguntou ele então: Sobre que disputáveis em assembléia? - Um homem, do meio do povo, tomando a palavra,
disse: Mestre, trouxe-te meu filho, que está possesso de um Espírito mudo; - em todo lugar onde dele se apossa,
atira-o por terra e o menino espuma, rilha os dentes e se torna todo seco. Pedi a teus discípulos que o expulsassem,
mas eles não puderam.

Disse-lhes Jesus: Oh! gente incrédula, até quando estarei convosco? Até quando vos suportarei? Trazei-mo. -
Trouxeram-lho e ainda não havia ele posto os olhos em Jesus, e o Espírito entrou a agitá-lo violentamente; ele caiu
no chão e se pôs a rolar espumando.

Jesus perguntou ao pai do menino: Desde quando isto lhe sucede? - Desde pequenino, diz o pai. - E o Espírito o
tem lançado, muitas vezes, ora à água, ora ao fogo, para fazê-lo perecer; se alguma coisa puderes, tem compaixão
de nós e socorre-nos.

Respondeu-lhe Jesus: Se puderes crer, tudo é possível àquele que crê. - Logo exclamou o pai do menino, banhado
em lágrimas: Senhor, creio, ajuda-me na minha incredulidade.

Jesus, vendo que o povo acorria em multidão, falou em tom de ameaça ao Espírito impuro, dizendo-lhe: Espírito
surdo e mudo sai desse menino e não entres mais nele. - Então, o Espírito, soltando grande grito e agitando o menino
em violentas convulsões, saiu, ficando como morto o menino, de sorte que muitos diziam que ele morrera. - Mas
Jesus, tomando-lhe as mãos e amparando-o, fê-lo levantar-se.

Quando Jesus voltou para casa, seus discípulos lhe perguntaram, em particular: Por que não pudemos nós expulsar
esse demônio? - Ele respondeu: Os demônios desta espécie não podem ser expulsos senão pela prece e pelo jejum.
(S. Marcos, cap. IX, vv. 13 a 28.)

32.- Apresentaram-lhe então um possesso cego e mudo e ele o curou, de modo que o possesso começou a falar e
a ver: - Todo o povo ficou presa de admiração e dizia: Não é esse o filho de David?

Mas os fariseus, isso ouvindo, diziam: Este homem expulsa os demônios com o auxílio de Belzebu, príncipe dos
demônios.

Jesus, conhecendo-lhes os pensamentos, disse-lhes: Todo reino que se dividir contra si mesmo será arruinado e
toda cidade ou casa que se divide contra si mesma não pode subsistir. - Se Satanás expulsa a Satanás, ele está
dividido contra si mesmo, como, pois, o seu reino poderá subsistir? - E, se é por Belzebu que eu expulso os demônios,
por quem os expulsarão vossos filhos? Por isso, eles próprios serão os vossos juizes. - Se eu expulso os demônios
pelo Espírito de Deus, é que o reino de Deus veio até vós. (S. Mateus, cap. XII, 22 a 28.)

33.- Com as curas, as libertações de possessos figuram entre os mais numerosos atos de Jesus. Alguns há, entre os
fatos dessa natureza, como os acima narrados, no nº 30, em que a possessão não é evidente. Provavelmente, naquela
época, como ainda hoje acontece, atribuía-se à influência dos demônios todas as enfermidades cuja causa se não
conhecia, principalmente a mudez, a epilepsia e a catalepsia. Outros há, todavia, em que nada tem de duvidosa a ação
dos maus Espíritos, casos esses que guardam com os de que somos testemunhas tão frisante analogia, que neles se reconhecem todos os sintomas de tal gênero de afecção. A prova da participação de uma inteligência oculta, em tal
caso, ressalta de um fato material: são as múltiplas curas radicais obtidas, nalguns centros espíritas, pela só evocação
e doutrinação dos Espíritos obsessores, sem magnetização, nem medicamentos e, muitas vezes, na ausência do
paciente e a grande distância deste. A imensa superioridade do Cristo lhe dava tal autoridade sobre os Espíritos
imperfeitos, chamados então demônios, que lhe bastava ordenar se retirassem para que não pudessem resistir a essa
injunção. (Cap. XIV, nº 46.)

34.- O fato de serem alguns maus Espíritos mandados meter-se em corpos de porcos é o que pode haver de menos
provável. Aliás, seria difícil explicar a existência de tão numeroso rebanho de porcos num país onde esse animal era tido
em horror e nenhuma utilidade oferecia para a alimentação. Um Espírito, porque mau, não deixa de ser um Espírito
humano, embora tão imperfeito que continue a fazer mal, depois de desencarnar, como o fazia antes, e é contra todas
as leis da Natureza que lhe seja possível fazer morada no corpo de um animal. No fato, pois, a que nos referimos, temos
que reconhecer a existência de uma dessas ampliações tão comuns nos tempos de ignorância e de superstição; ou,
então, será uma alegoria destinada a caracterizar os pendores imundos de certos Espíritos.

35.- Parece que, ao tempo de Jesus, eram em grande número, na Judéia, os obsidiados e os possessos, donde a
oportunidade que ele teve de curar a muitos. Sem dúvida, os Espíritos maus haviam invadido aquele país e causado uma epidemia de possessões. (Cap. XlV, nº 49.)

Sem apresentarem caráter epidêmico, as obsessões individuais são muitíssimo freqüentes e se apresentam sob os mais variados aspectos que, entretanto, por um conhecimento amplo do Espiritismo, facilmente se descobrem. Podem, não
raro, trazer conseqüências danosas à saúde, seja agravando afecções orgânicas já existentes, seja ocasionando-as. Um
dia, virão a ser, incontestavelmente, arroladas entre as causas patológicas que requerem, pela sua natureza especial,
especiais meios de tratamento. Revelando a causa do mal, o Espiritismo rasga nova senda à arte de curar e fornece à
Ciência meio de alcançar êxito onde até hoje quase sempre vê malogrados seus esforços, pela razão de não atender à
primordial causa do mal. (O Livro dos Médiuns, 2ª Parte, cap. XXIII.)

36.- Os fariseus diziam que por influência dos demônios é que Jesus expulsava os demônios; segundo eles, o bem que
Jesus fazia era obra de Satanás; não refletiam que, se Satanás expulsasse a si mesmo, praticaria rematada insensatez.
É de notar-se que os fariseus daquele tempo já pretendessem que toda faculdade transcendente e, por esse motivo,
reputada sobrenatural, era obra do demônio, pois que, na opinião deles, era do demônio que Jesus recebia o poder de
que dispunha. É esse mais um ponto de semelhança daquela com a época atual e tal doutrina é ainda a que a Igreja
procura fazer que prevaleça hoje, contra as manifestações espíritas.

("A Gênese", capítulo XV, itens 29 a 36)


QUESTÕES PARA ESTUDO


a) Como o Espiritismo explica a expulsão do demônio feita por Jesus, narrada no ítem 29 acima?

b) Segundo o Espiritismo, seria possível os demônios expulsos irem tomar os corpos de porcos?

c) Qual a contribuição que o Espiritismo pode dar à ciência quanto ao tratamento de enfermidades mentais?

d) Por que os fariseus atribuíam ao demônio as expulsões de demônios efetuadas por Jesus?


  Conclusão deste estudo 
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