Espiritismo Educação Recursos Ajuda Serviços
Estudos
Salas de Estudo      O Livro dos Espíritos      O Evangelho      A Gênese
O Livro dos Médiuns      Série André Luiz      Educar      Família      
Home > A Gênese
Ninguém é profeta em sua terra (ítens 1 e 2) (Estudo 119 de 136)

       

Ninguém é prefeta em sua terra


1.- Tendo vindo à sua terra natal, instruía-os nas sinagogas, de sorte que, tomados de espanto, diziam:
Donde lhe vieram essa sabedoria e esses milagres? - Não é o filho daquele carpinteiro? Não se chama
Maria, sua mãe, e seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? Suas irmãs não se acham todas entre nós?
Donde então lhe vêm todas essas coisas? - E assim faziam dele objeto de escândalo. Mas, Jesus lhes
disse: Um profeta só não é honrado em sua terra e na sua casa. - E não fez lá muitos milagres devido à
incredulidade deles. (S. Mateus, cap. XIII, vv. 54-58.)

2.- Enunciou Jesus dessa forma uma verdade que se tornou provérbio, que é de todos os tempos e à qual se poderia dar
maior amplitude, dizendo que ninguém é profeta em vida.

Na linguagem usual, essa máxima se aplica ao crédito de que alguém goza entre os seus e entre aqueles em cujo seio
vive, à confiança que lhes inspira pela superioridade do saber e da inteligência. Se ela sofre exceções, são raras estas e,
em nenhum caso, absolutas. O princípio de tal verdade reside numa consequência natural da fraqueza humana e pode
explicar-se deste modo:

O hábito de se verem desde a infância, em todas as circunstâncias ordinárias da vida, estabelece entre os homens uma
espécie de igualdade material que, muitas vezes, faz que a maioria deles se negue a reconhecer superioridade moral num
de quem foram companheiros ou comensais, que saiu do mesmo meio que eles e cujas primeiras fraquezas todos testemunharam. Sofre-lhes o orgulho com o terem de reconhecer o ascendente do outro. Quem quer que se eleve acima
do nível comum está sempre em luta com o ciúme e a inveja. Os que se sentem incapazes de chegar à altura em que
aquele se encontra esforçam-se para rebaixá-lo, por meio da difamação, da maledicência e da calúnia; tanto mais forte
gritam, quanto menores se acham, crendo que se engrandecem e o eclipsam pelo arruído que promovem. Tal foi e será
a História da Humanidade, enquanto os homens não houverem compreendido a sua natureza espiritual e alargado seu
horizonte moral. Por aí se vê que semelhante preconceito é próprio dos espíritos acanhados e vulgares, que tomam suas personalidades por ponto de aferição de tudo.

Doutro lado, toda gente, em geral, faz dos homens apenas conhecidos pelo espírito um ideal que cresce à medida que os tempos e os lugares se vão distanciando. Eles são como que despojados de todo cunho de humanidade; parece que não
devem ter falado, nem sentido como os demais; que a linguagem de que usaram e seus pensamentos hão de ter ressoado
constantemente no diapasão da sublimidade, sem se lembrarem, os que tal imaginam, que o espírito não poderia permanecer constantemente em estado de tensão e de perpétua superexcitação. No contacto da vida privada, vê-se por demais que o
homem material em nada se distingue do vulgo. O homem corpóreo, que os sentidos humanos percebem, quase que apaga
o homem espiritual, do qual somente o espírito se percebe. De longe, apenas se vêem os relâmpagos do gênio; de perto,
vêem-se as paradas do espírito.

Depois da morte, nenhuma comparação mais sendo possível, unicamente o homem espiritual subsiste e tanto maior parece, quanto mais longínqua se torna a lembrança do homem corporal. É por isso que aqueles cuja passagem pela Terra se
assinalou por obras de real valor são mais apreciados depois de mortos do que quando vivos. São julgados com mais imparcialidade, porque, já tendo desaparecido os invejosos e os ciosos, cessaram os antagonismos pessoais. A posteridade
é juiz desinteressado no apreciar a obra do espírito; aceita-a sem entusiasmo cego, se é boa, e a rejeita sem rancor, se
é má, abstraindo da individualidade que a produziu.

Tanto menos podia Jesus escapar às conseqüências deste princípio, inerente à natureza humana, quanto pouco esclarecido
era o meio em que ele vivia, meio esse constituído de criaturas votadas inteiramente à vida material. Nele, seus compatriotas apenas viam o filho do carpinteiro, o irmão de homens tão ignorantes quanto ele e, assim sendo, não percebiam o que lhe
dava superioridade e o investia do direito de os censurar. Verificando então que a sua palavra tinha menos autoridade sobre
os seus, que o desprezavam, do que sobre os estranhos, preferiu ir pregar para os que o escutavam e aos quais inspirava simpatia.

Pode-se fazer idéia dos sentimentos que para com ele nutriam os que lhe eram aparentados, pelo fato de que seus próprios irmãos, acompanhados de sua mãe, foram a uma reunião onde ele se encontrava, para dele se apoderarem, dizendo que
perdera o juízo. (S. Marcos, cap. III, vv. 20, 21 e 31 a 35. - O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIV.)

Assim, de um lado, os sacerdotes e os fariseus o acusavam de obrar pelo demônio; de outro, era tachado de louco pelos
seus parentes mais próximos. Não é o que se dá em nossos dias com relação aos espíritas? E deverão estes queixar-se
de que os seus concidadãos não os tratem melhor do que os de Jesus o tratavam? O que há de estranhável é que, no
século dezenove e no seio de nações civilizadas, se dê o que, há dois mil anos, nada tinha de espantoso, por parte de
um povo ignorante.


QUESTÕES PARA ESTUDO

a) Segundo Kardec, como podemos entender a seguinte frase de Jesus: "Um profeta só não é honrado em sua terra e
na sua casa"?

b) Por a aceitação dos ensinamentos de um espírito é maior à medida que nos afastamos da época de sua passagem
pela Terra?

c) Por que Jesus preferia pregar e fazer milagres fora de sua terra natal?
  Conclusão deste estudo 
1998-2015 | CVDEE - Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo