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Parábola dos vinhateiros homicidas (itens29 e 30) (Estudo 122 de 136)

       

PREDIÇÕES DO EVANGELHO - itens 29 e 30: Parábola dos
vinhateiros homicidas


Parábola dos
vinhateiros homicidas

29. - Havia um pai de família que, tendo plantado uma vinha, a cercou com
uma sebe e, cavando a terra,
construiu uma torre. Arrendou-a depois a uns vinhateiros e partiu para um
país distante.

Ora, estando próximo o tempo dos frutos, enviou ele seus servos aos
vinhateiros, para recolher o fruto da
sua vinha. - Os vinhateiros, apoderando-se dos servos, deram num, mataram
outro e a outro apedrejaram.
Enviou-lhes ele outros servos em maior número do que os primeiros e eles
os trataram da mesma maneira.
-Por fim, enviou-lhes seu próprio filho, dizendo de si para si: Ao meu
filho eles terão algum respeito. - Mas
os vinhateiros, ao verem o filho, disseram entre si: Aqui está o herdeiro;
vinde, matemo-lo e ficaremos donos
da sua herança. - E, com isso, pegaram dele, lançaram-no fora da vinha e o
mataram.

Quando o dono da vinha vier, como tratará esses vinhateiros? -
Responderam-lhe: Fará que pereçam
miseravelmente esses malvados e arrendará a vinha a outros vinhateiros,
que lhe entreguem os frutos na
estação própria. (S. Mateus, cap. XXI, vv. 33 a 41.)
30.- O pai de família é Deus; a vinha que ele plantou é a lei que
estabeleceu; os vinhateiros a quem arrendou a vinha são
os homens que devem ensinar e praticar a lei; os servos que enviou aos
arrendatários são os profetas que estes últimos massacraram; seu filho,
enviado por último, é Jesus, a quem eles igualmente eliminaram. Como
tratará o Senhor os seus mandatários prevaricadores da lei? Tratá-los-á
como seus enviados foram por eles tratados e chamará outros arrendatários
que lhe prestem melhores contas de sua propriedade e do proceder do seu
rebanho.

Assim aconteceu com os escribas, com os príncipes dos sacerdotes e com os
fariseus; assim será, quando ele vier de
novo pedir a cada um contas do que fez da sua doutrina; retirará toda a
autoridade ao que dela houver abusado, porquanto
ele quer que seu campo seja administrado de acordo com a sua vontade.

Ao cabo de dezoito séculos, tendo chegado à idade viril, a Humanidade está
suficientemente madura para compreender
o que o Cristo apenas esflorou, porque então, como ele próprio o disse,
não o teriam compreendido. Ora, a que resultado chegaram os que, durante
esse longo período, tiveram a seu cargo a educação religiosa da mesma
Humanidade? Ao de
verem que a indiferença sucedeu à fé e que a incredulidade se alçou em
doutrina. Em nenhuma outra época, com efeito,
o cepticismo e o espírito de negação estiveram mais espalhados em todas as
classes da sociedade.

Mas, se algumas das palavras do Cristo se apresentam encobertas pelo véu
da alegoria, pelo que concerne à regra de
proceder, às relações de homem para homem, aos princípios morais a que ele
expressamente condicionou a salvação,
seus ensinos são claros, explícitos, sem ambigüidade. (O Evangelho segundo
o Espiritismo, capítulo XV.)

Que fizeram das suas máximas de caridade, de amor e de tolerância; das
recomendações que fez a seus apóstolos para
que convertessem os homens pela brandura e pela persuasão; da
simplicidade, da humildade, do desinteresse e de todas
as virtudes que ele exemplificou? Em seu nome, os homens se
anatematizaram mutuamente e reciprocamente se amaldiçoaram;
estrangularam-se em nome daquele que disse: Todos os homens são irmãos. Do
Deus infinitamente justo,
bom e misericordioso que ele revelou, fizeram um Deus cioso, cruel,
vingativo e parcial; àquele Deus, de paz e de verdade, sacrificaram nas
fogueiras, pelas torturas e perseguições, muito maior número de vítimas,
do que as que em todos os
tempos os pagãos sacrificaram aos seus falsos deuses; venderam-se as
orações e as graças do céu em nome daquele
que expulsou do Templo os vendedores e que disse a seus discípulos: Dai de
graça o que de graça recebestes.

Que diria o Cristo, se viesse hoje entre nós? Se visse os que se dizem
seus representantes a ambicionar as honras, as
riquezas, o poder e o fausto dos príncipes do mundo, ao passo que ele,
mais rei do que todos os reis da Terra, fez a sua
entrada em Jerusalém montado num jumento? Não teria o direito de
dizer-lhes: Que fizestes dos meus ensinos, vós que incensais o bezerro de
ouro, que dais a maior parte das vossas preces aos ricos, reservando uma
parte insignificante aos
pobres, sem embargo de haver eu dito: Os primeiros serão os últimos e os
últimos serão os primeiros no reino dos céus?
Mas, se ele não está carnalmente entre nós, está em Espírito e, como o
senhor da parábola, virá pedir contas aos seus vinhateiros do produto da
sua vinha, quando chegar o tempo da colheita.



QUESTÕES PARA ESTUDO

a) Como podemos interpretar os simbolismos contidos nesta parábola?

b) Que tipos de desvirtuamento do ensino de Jesus por parte das religiões são apontados por Kardec?
  Conclusão deste estudo 
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