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Segundo advento do Cristo (itens 43 e 46) (Estudo 125 de 136)

       

Segundo
advento do Cristo

43. - Disse então Jesus a seus discípulos: Se algum quiser vir nas minhas
pegadas, renuncie a si mesmo,
tome a sua cruz e siga-me; - porquanto, aquele que quiser salvar a vida a
perderá e aquele que perder a
vida por amor de mim a encontrará de novo.

De que serviria a um homem ganhar o mundo inteiro e perder a alma? Ou por
que preço poderá o homem
comprar sua alma, depois de a ter perdido? - Porque, o Filho do homem há
de vir na glória de seu Pai, com
seus anjos, e então dará a cada um segundo as suas obras.

Digo-vos, em verdade, que alguns daqueles que aqui se encontram não
sofrerão a morte, sem que tenham
visto vir o Filho do homem no seu reino. (S. Mateus, cap. XVI, vv. 24 a
28.)

44. - Então, levantando-se do meio da assembléia, o sumo-sacerdote
interrogou a Jesus desta forma: Nada
respondes ao que estes depõem contra ti? - Mas Jesus se conservava em
silêncio e não respondeu. Interrogou-o
de novo o sumo-sacerdote: És o Cristo, o Filho de Deus para sempre
Bendito? - Jesus lhe respondeu: Eu o
sou e vereis um dia o Filho do homem assentado à direita da majestade de
Deus e vindo sobre as nuvens
do céu.

Logo o sumo-sacerdote, rasgando as vestes, lhe diz: Que necessidade temos
de mais testemunhos? (S.
Marcos, cap. XIV, vv. 60 a 63.)

45. - Jesus anuncia o seu segundo advento, mas não diz que voltará à Terra
com um corpo carnal, nem que personificará o Consolador. Apresenta-se como
tendo de vir em Espírito, na glória de seu Pai, a julgar o mérito e o
demérito e dar a cada um segundo as suas obras, quando os tempos forem
chegados.

Estas palavras: «Alguns há dos que aqui estão que não sofrerão a morte sem
terem visto vir o Filho do homem no seu reinado» parecem encerrar uma
contradição, pois é incontestável que ele não veio em vida de nenhum
daqueles que estavam presentes. Jesus, entretanto, não podia enganar-se
numa previsão daquela natureza e, sobretudo, com relação a uma coisa
contemporânea e que lhe dizia pessoalmente respeito. Há, primeiro, que
indagar se suas palavras foram sempre reproduzidas fielmente. É de
duvidar-se, desde que se considere que ele nada escreveu; que elas só
foram registradas depois de sua morte; que o mesmo discurso cada
evangelista o exarou em termos diferentes, o que constitui prova evidente
de que as expressões de que eles
se serviram não são textualmente as de que se serviu Jesus. Além disso, é
provável que o sentido tenha sofrido alterações
ao passar pelas traduções sucessivas.

Por outro lado, é indubitável que, se Jesus houvesse dito tudo o que
pudera dizer, ele se teria expressado sobre todas as
coisas de modo claro e preciso, sem dar lugar a qualquer equívoco,
conforme o fez com relação aos princípios de moral, ao passo que foi
obrigado a velar o seu pensamento acerca dos assuntos que não julgou
conveniente aprofundar. Persuadidos
de que a geração de que faziam parte testemunharia o que ele anunciava, os
discípulos foram levados a interpretar o
pensamento de Jesus de acordo com aquela idéia. Assim é que redigiram do
ponto de vista do presente o que o Mestre
dissera, fazendo-o
de maneira mais absoluta do que ele próprio o teria feito. Seja como for,
o fato é que as coisas não se passaram como eles
o supuseram.

46. - A grande e importante lei da reencarnação foi um dos pontos capitais
que Jesus não pode desenvolver, porque os homens do seu tempo não se
achavam suficientemente preparados para idéias dessa ordem e para as suas
conseqüências. Contudo, assentou o princípio da referida lei, como o fez
relativamente a tudo mais. Estudada e posta em evidência nos dias atuais
pelo Espiritismo, a lei da reencarnação constitui a chave para o
entendimento de muitas passagens do Evangelho que, sem ela, parecem
verdadeiros contra-sensos.

É por meio dessa lei que se encontra a explicação racional das palavras
acima, admitidas que sejam como textuais. Uma
vez que elas não podem ser aplicadas às pessoas dos apóstolos, é evidente
que se referem ao futuro reinado do Cristo, isto
é, ao tempo em que a sua doutrina, mais bem compreendida, for lei
universal. Dizendo que alguns dos ali presentes na
ocasião veriam o seu advento, ele forçosamente se referia aos que estarão
vivos de novo nessa época. Os judeus, porém, imaginavam que lhes seria
dado ver tudo o que Jesus anunciava e tomavam ao pé da letra suas frases
alegóricas.

Aliás, algumas de suas predições se realizaram no devido tempo, tais como
a ruma de Jerusalém, as desgraças que se lhe seguiram e a dispersão dos
judeus. Sua visão, porém, se projetava muito mais longe, de sorte que,
quando falava do presente, sempre aludia ao futuro.


QUESTÕES
PARA ESTUDO

a) Como entender a afirmação de Jesus de que "alguns daqueles que aqui se
encontram não sofrerão a morte, sem que
tenham visto vir o Filho do Homem no seu reino"?

b) Qual o entendimento do Espiritismo com relação ao segundo advento do
Cristo?

  Conclusão deste estudo 
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