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C O N C L U S Ã O - Itens I e II (Estudo 187 de 193)

       

Estamos entrando na fase final dessa etapa do estudo do Livro dos Espíritos. Vamos estudar, agora, a conclusão apresentada por Allan Kardec, fechando a obra. Neste texto, que começamos a transcrever, o Codificador faz
uma análise geral sobre os fatos que precederam o nascimento da Doutrina, seus objetivos e princípios e rebate
argumentos lançados pelos seus opositores.


CONCLUSÃO

I

Quem, de magnetismo terrestre, apenas conhecesse o brinquedo dos patinhos imantados que, sob a ação do imã,
se movimentam em todas as direções numa bacia com água, dificilmente poderia compreender que ali está o
segredo do mecanismo do Universo e da marcha dos mundos. O mesmo se dá com quem, do Espiritismo, apenas
conhece o movimento das mesas, em o qual só vê um divertimento, um passatempo, sem compreender que esse
fenômeno tão simples e vulgar, que a antigüidade e até povos semi-selvagens conheceram, possa ter ligação com
as mais graves questões da ordem social. Efetivamente, para o observador superficial, que relação pode ter com
a moral e o futuro da Humanidade uma mesa que se move? Quem quer, porém, que reflita se lembrará de que de
uma simples panela a ferver e cuja tampa se erguia continuamente, fato que também ocorre desde toda a
antigüidade, saiu o possante motor com que o homem transpõe o espaço e suprime as distâncias.

Pois bem! Sabei, vós que não credes senão no que pertence ao mundo material, que dessa mesa, que gira e vos
faz sorrir desdenhosamente, saiu uma ciência, assim como a solução dos problemas que nenhuma filosofia pudera
ainda resolver. Apelo para todos os adversários de boa-fé e os adjuro a que digam se se deram ao trabalho de
estudar o que criticam. Porque, em boa lógica, a crítica só tem valor quando o crítico é conhecedor daquilo de
que fala. Zombar de uma coisa que se não conhece, que se não sondou com o escalpelo do observador
consciencioso, não é criticar, é dar prova de leviandade e triste mostra de falta de critério. Certamente que, se
houvéssemos apresentado esta filosofia como obra de um cérebro humano, menos desdenhoso tratamento
encontraria e teria merecido as honras do exame dos que pretendem dirigir a opinião. Vem ela, porém, dos
Espíritos. Que absurdo! Mal lhe dispensam um simples olhar. Julgam-na pelo título, como o macaco da fábula
julgava da noz pela casca. Fazei, se quiserdes, abstração da sua origem. Suponde que este livro é obra de um
homem e dizei, do íntimo e em consciência, se, depois de o terdes lido seriamente, achais nele matéria para
zombaria.

II

O Espiritismo é o mais terrível antagonista do materialismo. Não é, pois, de admirar que tenha por adversários
os materialistas. Mas, como o materialismo é uma doutrina cujos adeptos mal ousam confessar que o são
(prova de que não se consideram muito fortes e têm a dominá-los a consciência), eles se acobertam com o
manto da razão e da ciência. E, coisa estranha, os mais cépticos chegam a falar em nome da religião, que não
conhecem e não compreendem melhor que ao Espiritismo. Por ponto de mira tomam o maravilhoso e o
sobrenatural, que não admitem. Ora, dizem, pois que o Espiritismo se funda no maravilhoso, não pode deixar
de ser uma suposição ridícula. Não refletem que, condenando, sem restrições, o maravilhoso e o sobrenatural,
também condenam a religião.

Com efeito, a religião se funda na revelação e nos milagres. Ora, que é a revelação, senão um conjunto de
comunicações extraterrenas? Todos os autores sagrados, desde Moisés, têm falado dessa espécie de
comunicações. Que são os milagres, senão fatos maravilhosos e sobrenaturais, por excelência, visto que, no
sentido litúrgico, constituem derrogações das leis da Natureza? Logo, rejeitando o maravilhoso e o sobrenatural,
eles rejeitam as bases mesmas da religião. Não é deste ponto de vista, porém, que devemos encarar a questão.

Ao Espiritismo não compete examinar se há ou não milagres, isto é, se em certos casos houve Deus por bem
derrogar as leis eternas que regem o Universo. Permite, a este respeito, inteira liberdade de crença. Diz e prova
que os fenômenos em que se baseia, de sobrenaturais só têm a aparência. E parecem tais a algumas pessoas,
apenas porque são insólitos e diferentes dos fatos conhecidos. Não são, contudo, mais sobrenaturais do que
todos os fenômenos, cuja explicação a Ciência hoje dá e que parecem maravilhosos noutra época. Todos os
fenômenos espíritas, sem exceção, resultam de leis gerais. Revelam-nos uma das forças da Natureza, força
desconhecida, ou, por melhor dizer, incompreendida até agora, mas que a observação demonstra estar na ordem
das coisas.

Assim, pois, o Espiritismo se apoia menos no maravilhoso e no sobrenatural do que a própria religião.
Conseguintemente, os que o atacam por esse lado mostram que o não conhecem e, ainda quando fossem os
maiores sábios, lhes diríamos: se a vossa ciência, que vos instruiu em tantas coisas, não vos ensinou que o domínio
da Natureza é infinito, sois apenas meio sábios.


QUESTÕES PARA ESTUDO:

1 - Os sistemas de negação da Doutrina foram analisados por Kardec, mais tarde, com maior profundidade, no
Livro dos Médiuns. Nesse primeiro item da conclusão, no entanto, a que tipo de negação o Codificador se refere
e qual o argumento para rebatê-la?

2 - Como o Espiritismo vê a questão do "maravilhoso" e o "sobrenatural", que servem como princípios a outros
segmentos religiosos?
  Conclusão deste estudo 
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